Músicas

    Coro da Primavera
    Cantigas do Maio
    Cantar Alentejano
    Venham Mais Cinco
    As Sete Mulheres do Minho
    Arcebispíada
    Canta Camarada
    Formiga no Carreiro
    Tu Gitana
    O País Vai de Carrinho
    Utopia
    Alípio de Freitas
    Pedra Filosofal
    Cantar de Emigração
    La Guerra di Piero
    Canto Moço
    Gastão era Perfeito
    O que Faz Falta

Cantar Alentejano

    

José Afonso



Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar


    

Música em memória de Catarina Eufémia, ceifeira alentejana, morta a tiro a 19 de Maio de 1954, aos 26 anos, na sequência de uma greve de assalariadas rurais, por um GNR em Monte do Olival, Baleizão. A história trágica de Catarina acabou por personificar a resistência ao regime salazarista. Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, José Carlos Ary dos Santos, Maria Luísa Vilão Palma e António Vicente Campinas, entre outros, dedicaram-lhe poemas. O poema de Vicente Campinas "Cantar Alentejano" foi musicado por Zeca Afonso no álbum "Cantigas de Maio" editado no Natal de 1971.